Entrevista Jim Avery

Uma das carreiras que mais tem chamado a atenção dos estudantes de comunicação nos dias de hoje é o planejamento. Pode ser pelo desafio da estratégia, pela habilidade de integrar as várias áreas da agência, pela dedicação de contar uma história ou ainda como inocentemente alguns acreditam, pelo cool da camisa xadrez e dos óculos de aros grossos.

Jim Avery com os diretores do GPA Chris Monteiro, Daniella Amorim e Fábio Meneghati

Fato é que os cursos de planejamento estão cada vez mais lotados. E não foi diferente no último dia 02 de setembro, em Curitiba, no Curso de Planejamento Estratégico de Publicidade, com o especialista em comunicação estratégica Jim Avery.

Jim tem mais de 20 anos de experiência no mercado e conta com passagens por agências como Saatchi, Lowe, DDB e Publicis. Hoje é professor na Universidade de Oklahoma e planner freelancer, com muita história pra contar. Confira essa entrevista exclusiva:

VOGG – Recentemente, você tem trabalhado como um planner freelancer. Qual é a principal diferença entre um planner freelancer e um planner que trabalha dentro de uma agência? Você acredita que atuar como freelancer é uma tendência na área de comunicação?
J.A. – A maioria dos freelas que eu faço é para agências. Às vezes eu nem apareço para os clientes finais deles, outras eu faço a apresentação do planejamento como se eu trabalhasse dentro da agência. Um freelancer não é um empregado fixo da agência, ele trabalha num projeto temporário. Nessa área de instabilidade, as agências gostam da ideia de freelancers porque não tem que se comprometer a longo termo.

VOGG – Você tem uma longa carreira dentro da publicidade e do marketing. O que mudou nessas últimas décadas? Como a rotina de um planner hoje é diferente de 20 anos atrás?
J.A. – Eu acho que somos muito mais precisos e científicos com o trabalho hoje. No passado, talvez 25 anos atrás, as pessoas trabalhavam com base no “achismo” e isso funcionava. Hoje também investimos muito mais tempo em consumer insight que antigamente.

VOGG – Como é o relacionamento ideal entre o planner e criativo? Há uma maneira correta de passar o bastão para a equipe de criação?
J.A. – A relação entre planners e criativos tem que ser muito boa. O planner deve ter a habilidade de brifar a equipe criativa para que eles entendam perfeitamente quem é o que deve ser atingido com o resultado daquela publicidade. Eu conheço alguns planners que ilustram isso com um pedaço de um filme. Eles usam um personagem do filme para ilustrar o target que deve ser atingido.

VOGG – Você já trabalhou com planejamento digital. Qual a diferença para o offline?
J.A. – Não é muito diferente porque a essência do planejamento está em entender as pessoas. Pode ser que às vezes surjam outras tarefas que demandem do planner encontrar um meio específico para entregar uma mensagem. A isso normalmente chamamos de planejamento de canal.

VOGG – Quais são os principais atributos de um bom planner? Cursos no exterior, formações técnicas?
J.A. – Aprender a ser um planner é comum e não exige muito. As principais características são curiosidade e um desejo de entender a cultura local.