Ele, o jurado
O ano 2012 começa e com ele as inscrições dos grandes festivais internacionais de publicidade. Agências se preparam para Cannes, New York Festivals e o The Braves, na área de branding e vídeo. Muitos trabalhos de qualidade irão disputar a atenção de um gran júri internacional exigente, profissionais renomados dos cinco continentes.
Entre eles, o brasileiro Leo Macias, diretor de criação da Publicis. Macias vai integrar o gran júri do New York Festival 2012. Mas não é a primeira vez que o criativo participa de um festival de peso. Esse publicitário já foi jurado em três categorias do Fiap, além de ter passagem no júri do El Ojo de Iberoamerica. Nessa entrevista, Macias conta um pouco dos bastidores dos grandes júris desses festivais.

VOGG: Como você foi escolhido para participar do New York Festival 2012?
L.M. – Aconteceu como na maioria dos festivais. Há uns trinta dias atrás recebi um e-mail convidando e perguntando se eu teria agenda para participar. Para mim foi surpresa o convite porque é um prêmio que tem um respeito incrível do mercado – logicamente meu também – e eu fiquei muito feliz em ser convidado.
Nunca participei como júri de um prêmio americano e estou muito ansioso de poder participar.
VOGG: Existe um padrão para a escolha de quem compõe os júris dos festivais internacionais – como Fiap, El Ojo e até mesmo Cannes?
L.M. – Não tem um perfil, os festivais normalmente acompanham o desempenho criativo das pessoas nos festivais e quando vem um constante reconhecimento com prêmios, acreditam que essa pessoa poderia com o seu olhar ajudar o festival. Outra coisa é o fato de você já ter participado como júri em algum outro festival de peso,
isso te avalia como uma pessoa que tem experiência de festival, isso ajuda também.
VOGG: Como é montado um júri num festival internacional em termos de integrantes? Tende a ser o mais eclético possível ou há figuras carimbadas que não podem faltar?
L.M. – Sinceramente não tem regras, normalmente a única regra é não colocar mais do que uma pessoa de uma mesma agência (ou rede) no mesmo júri. Nos festivais internacionais normalmente se escolhem pessoas das regiões mais representativas da propaganda mundial, para ter um olhar mais abrangente do que esta sendo feito no mundo.
VOGG: A escolha dos vencedores em geral é unânime ou chega a haver empates? Nesses casos, como é definido o vencedor?
L.M. – Normalmente não existem empates, existem sim discussões sobre qual é melhor que outro e porque, o que eu acho excelente, a discussão é muito boa, para mim a melhor parte de ser júri é essa, ter como discutir opiniões com pessoas de respeito do mundo inteiro é muito bom. Se chegar a ter um empate seria por pontos e normalmente nesse momento o presidente pode dar o seu voto para desempatar.
VOGG: Você já chegou a defender alguma peça por “amor a camisa” nacional?
L.M. – Não, eu defendo o que realmente acredito ser bom, o que acontece é que a média brasileira é muito acima da média e normalmente você termina defendendo
uma peça nacional, defendo sim muitas vezes o Brasil ser castigado por júris internacionais quando percebe que a peça é brasileira e por isso acredita que é fantasma.
VOGG: Como você vê a evolução da participação do Brasil nos festivais internacionais? Estamos ganhando espaço em novas categorias – como cyber – ou mantendo a tradição em categorias que temos alguma expertise?
L.M. – A evolução existe sim mais muito lenta! o Brasil tem apresentado alguns materiais muito bons em categorias como cyber, integrated etc.. Porém estamos engatinhando.